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J&B Emotion

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

Como pudeste?!?!

Quando era um cachorrinho, eu distraía-te com as minhas traquinices e fazia-te rir. Chamavas-me tua criança e, apesar de um certo número de sapatos mastigados e um par de almofadas destruídas, eu tornei-me na tua melhor amiga. Sempre que eu fazia algo de errado, tu abanavas o teu dedo para mim e dizias: "Como é que pudeste?..." mas depois tu arrependias-te e rolavas-me no chão para me coçar a barriga. O meu treino demorou um pouco mais do que o esperado porque tu estavas sempre muito ocupado, mas juntos conseguimos arranjar uma solução... Eu lembro-me daquelas noites em que me aninhava em ti na cama e ouvia as tuas confidências e sonhos secretos - acreditava que a vida não poderia ser mais perfeita. Nós os dois fazíamos longos passeios e corridas no parque, andávamos de carro, e parávamos para um gelado (eu ganhava só a bolachinha porque "gelado não faz bem aos cães" - dizias tu) e eu apanhava longos banhos de sol enquanto aguardava a tua volta para casa ao final do dia. Aos poucos passaste a gastar mais tempo no trabalho com a tua carreira e levavas mais tempo a procurar uma companheira humana. Eu esperei por ti pacientemente, confortei todas as tuas mágoas e desilusões, nunca te repreendi pelas más escolhas que tomaste, e vibrei de alegria nas tuas chegadas a casa e quando te apaixonaste... Ela, agora tua esposa, não é uma "apreciadora de cães" - ainda assim eu recebi-a na nossa casa, tentei mostrar-lhe afeição, e obedeci-lhe. Sentia-me feliz porque tu estavas feliz. Então vieram os bebés humanos e eu reparti contigo o entusiasmo. Eu estava fascinada pelos seus tons rosados, os seus cheiros, e queria muito tratar deles também. Mas ela e tu tinham medo de que eu pudesse magoá-los, e eu passei a maior parte do tempo a ser expulsa para outra sala, ou para a minha casotinha... Oh, como eu queria tê-los amado, mas eu tornei-me numa "prisioneira do amor." À medida que foram crescendo, tornei-me amiga deles. Eles agarravam-se ao meu pêlo e levantavam-se sobre perninhas trôpegas, enfiavam os dedos nos meus olhos, examinavam as minhas orelhas, e davam beijos no meu nariz. Eu adorava isso tudo, e o toque das suas mãozinhas - porque os teus toques agora eram tão raros - e eu teria-os defendido com a minha própria vida, se fosse preciso. Eu esgueirava-me para as suas camas e juntos esperávamos pelo barulho do teu carro de regresso. Houve uma altura, quando alguém perguntava se tinhas um cachorro, em que tu tiravas uma foto minha da tua carteira e contavas histórias sobre mim. Nos últimos anos tu apenas respondias "sim" e mudavas de assunto. Eu passei de "teu cão" para "apenas um cão" e tu reclamavas de cada gasto que tinhas comigo. Agora tu tens uma nova oportunidade de carreira noutra cidade, e vocês irão mudar-se para um apartamento onde não são permitidos animais. Tu tomaste a decisão acertada para a tua "família", mas houve uma altura em que eu era a tua única família. Fiquei excitada com o passeio de carro até que chegamos ao canil. O local tinha cheiro de gatos e cães, de medo, de desespero. Tu preencheste a papelada e disseste "Sei que vocês encontrarão um bom lar para ela"... Eles mexeram os ombros e lançaram-te um olhar compadecido. Eles compreendem a realidade que espera um cão de meia idade, mesmo um com "papéis". Tu tiveste que libertar os dedos do teu filho da minha coleira enquanto ele gritava "Não, papá! Por favor, não deixes que levem o meu cão!". E eu preocupei-me por ele, e com a lição que tu tinhas acabado de lhe dar sobre amizade e lealdade, sobre amor e responsabilidade, e sobre respeito por todo o tipo de vida. Tu deste-me um mimo de adeus na minha cabeça, evitaste o meu olhar e, educadamente, recusaste levar a minha coleira e trela contigo. Tu tinhas um tempo-limite para te habituares e agora eu também tenho um. Depois partires, as duas simpáticas senhoras que te atenderam comentaram que tu provavelmente sabias já com alguns meses de antecedência que terias de tomar aquela decisão e não fizeste nenhuma tentativa de encontrar um novo lar para mim. Elas sacudiram a cabeça e disseram "Como é que pudeste?". Elas são tão atenciosas para nós aqui no canil, quanto os seus ocupados horários lhes permitem. Elas alimentam-nos, claro, mas eu perdi o meu apetite à dias atrás. De início, sempre que alguém passava pelo meu alojamento, eu corria para a frente, na esperança de que fosses tu - que tivesses mudado de ideias - que isto fosse tudo um pesadelo.... ou eu esperava que ao menos fosse alguém que se importasse, alguém que me pudesse salvar. Quando percebi que não poderia competir com os alegres cachorrinhos que lá estavam, inconscientes dos seus próprios destinos, nas brincadeiras para chamar a atenção, afastei-me para um canto distante, e aguardei. Ouvi os seus passos quando ele veio até mim ao final do dia, e segui-o ao longo do corredor para uma sala separada. Uma sala deliciosamente silenciosa. Ele colocou-me sobre a mesa, acariciou as minhas orelhas, e disse-me para eu não me preocupar. O meu coração acelerou-se na expectativa do que estava para vir, mas havia também uma sensação de alívio. A prisioneira do amor tinha esgotado os seus dias. Como é da minha natureza, estava mais preocupada com ele. O fardo que carrega é demasiado pesado, e eu sei disso, da mesma maneira que conhecia cada um de seus humores. Ele gentilmente colocou um torniquete à volta da minha perna da frente, enquanto uma lágrima corria pela sua face. Lambi a sua mão da mesma maneira que costumava fazer para confortar-te há tantos anos atrás. Ele habilmente espetou a agulha hipodérmica na minha veia. Quando senti a picada e o líquido frio se espalhou através do meu corpo, deitei a cabeça sonolenta, olhei para dentro dos teus olhos gentis e murmurei "Como é que pudeste?". Talvez por ter entendido o meu latido canino, ele disse "Sinto muito!", abraçou-me e apressadamente explicou que era o seu trabalho, fazer com que eu fosse para um lugar melhor onde não seria ignorada, ou maltratada ou abandonada, nem ter que me desenrascar para sobreviver - um lugar de amor e luz, tão diferente deste lugar terrestre. E com a minha última gota de energia tentei transmitir- lhe com uma sacudidela da minha cauda que o meu "Como é que pudeste?" não era dirigido a ele. Era em ti, Meu Amado Dono, que eu estava a pensar. Pensarei em ti e esperarei por ti eternamente. Possa alguém na tua vida continuar a demonstrar-te tanta lealdade... Acho este texo mágnifico a quem o fez os meus parabéns, uma pessoa fica mesmo com um nó na garganta Texto retirado do site da ABRA (http://www.abra-associacao.com)

Terça-feira, Agosto 28, 2007

Encosta-te a Mim

A importância dos amigos? Uma despedida? Uma saudade? Uma homenagem... talvez

David Fonseca Superstars

Os sonhos...

Quinta-feira, Outubro 26, 2006

A dúvida

Ontem à noite, a caminho de casa, o caminho que todos os dias faço e que tão bem conheço, apeteceu-me escrever.... Não aqui, não um texto breve ou um apontamento, mas sim uma estória, grande. Contar uma estória de alguém num dado momento da vida. Isto não é novo para mim. Já vivi esta sensação outras vezes e cheguei a iniciar a concretização, mas três páginas a seguir desisti. Não por falta de vontade mas por medo, ou por incapacidade. Despois disto surge sempre o mesmo impasse: ou paro por ai e adio mais uma vez esta vontade súbita, ou continuo e descubro se realmente sei fazer aquilo a que me proponho... Mas tenho medo de me desapontar e desapontar quem possívelmente acreditou em mim. As vezes sinto que a dúvida me conforta e que me impede de continuar... Mas um dia vou continuar.

Terça-feira, Outubro 24, 2006

David Fonseca - Hold Still

Para descontrair e apreciar. Quem gosta, gosta sempre. "I know you're somewhere out there..."

Coisas Tristes

Há coisas que me deixam profundamente tristes e isto a ser verdade é uma delas. Quando lemos um livro, gostamos de saber o que lêmos e de quem lemos. Ao sabermos mais tarde que afinal não passava tudo de uma "cópia" sentimo-nos quase traídos... Dá que pensar

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

A busca

É tudo o que vejo daqui, uma teia de conflitos que me apertam a alma. Olho para os labirintos obscuros que nos rodeiam e procuro só um caminho. Há algures uma estrada que me vai levar lá. Vou cruzar todos os obstáculos, vou vencer todas as batalhas e suportar todo o sofrimento que a mente me permita. Vou procurar-te em todos os recantos sombrios, em cada metro quadrado da vida. Vou, nem que seja do centro da terra ao espaço, bem longe da gravidade que nos segura. Vou. Da-me tempo. Vou encontrar a felicidade que me pediste.

Quinta-feira, Julho 06, 2006

Obrigado Scolari.

Sábado, Julho 01, 2006

Os dias de hoje

Um dia Luís Vaz de Camões escreveu num dos seus sonetos: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança / Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades.
Permito-me a dizer que estas palavras sábias me soam melhor que nunca. A humanidade cresce a olhos vistos, a tecnologia apodera-se das nossas casas aos poucos sem darmos conta que a evolução está ali à nossa frente, os arranha céus trepam cada vez mais alto nas grandes cidades, as comunicações são cada vez melhores e mais velozes, podemos até, com um simples computador de trazer por casa, falar, ouvir e ver em tempo real, alguém que está nesse preciso momento num ponto do planeta bem distante do nosso, e melhor, sem termos que pagar grandes quantias monetárias para o fazer. É a tecnologia própria destes tempos que o permite. Tudo o que nos envolve está a mudar, a crescer, a evoluir.
Tudo é feito em nosso proveito, se bem que o que é proveitoso para uns pode ser o prejuízo de outros. Falo das armas. Enquanto uns constroem armas cada vez mais sofisticadas e potencialmente letais e transformam isso num negócio legal e milionário, outros sentem o seu poder letal da pior maneira. Mas tudo é criado em prol do homem. O facto de sermos serres dotados de inteligência assim o permitiu. A nossa vida foi ganhando qualidade ao longo dos tempos e hoje usufruímos de criações materiais por nós elaboradas que nos dão um conforto excepcional. Eu sou de uma geração recente. Nunca soube o que é viver sem tecnologia, seja a televisão passando pelo telefone, até ao vasto leque de máquinas relativamente recentes que estão ao nosso dispor em qualquer hospital, nunca soube o que é ter que caçar, cultivar ou pescar para sobreviver, felizmente nunca precisei repartir um pedaço de pão pelos meus irmãos. É isto que a vida moderna, onde se trabalharmos e nos inserirmos dignamente numa sociedade, nos proporciona; conforto, bem-estar, qualidade de vida… Mas há algo que me escapa.
Olho para a rua cheia de gente que passa para ir às compras, que vem do trabalho ou que simplesmente caminha e vejo um mundo civilizado, moderno, progressista, bonito, a minha memória é activada e recordo-me de acontecimentos que me fazem pensar que tudo não passa de fachada, uma fachada que esconde actos que nos transportam, a nós, seres humanos dotados de inteligência a um passado que desconheço. Recordo-me de notícias que vejo todos os dias, precisamente desde um dia em que, ainda em tenra idade, a minha memória foi capaz de armazenar e penso em quantas vezes fiquei chocado ao ver o que o ser humano é capaz de fazer. Estamos em 2006. Ano em que já se pensa colocar chips electrónicos nas bolas de futebol para saber se estas entram na baliza ou não chegam a transpor a linha de golo, ano em que se fabrica e comercializa um automóvel que se estaciona sozinho, ano em que supostamente a evolução seria o centro das atenções e ainda há tanta boca que precisa de um simples pedaço de pão, há tanta criança a precisar de uma vacina que para mim foi, mal nasci, obrigatória, há mulheres provavelmente neste instante a serem mutiladas numa cultura qualquer por não serem “dignas”. E não é preciso olhar para muito longe. Há pais que maltratam, abusam sexualmente e matam como quem mata um insecto os filhos ainda crianças, mulheres são espancadas diariamente ou sempre que ao marido lhe correu mal o dia, há pessoas que matam indiscriminadamente por uns trocados que levamos no bolso. São declaradas guerras porque “se passa isto assim e assim”… Deixam-se morrer crianças porque um assistente social pensou que estava tudo bem. Será isto um sinal dos tempos? Não me parece. Afinal parece que tudo evoluiu, cresceu e progrediu. Tudo, menos o ser humano que vai contra a sua própria natureza a troco de ninharias, a troco de nada. A nossa mente é um labirinto interminável e difícil de percorrer. Quanto mais descobrimos sobre nós mais nos apercebemos que não nos conhecemos. Tanta tecnologia, inovação tanta coisa descoberta e nada foi feito para mudar a mentalidade do ser humano. Para quê ter Internet se não podemos salvar uma criança que morre de fome num qualquer ponto do planeta neste preciso momento.
Pode ser que um dia a tecnologia que tanto prezamos nos seja útil para nos tornarmos dignos de existir.
“Continuamente vemos novidades, /Diferentes em tudo na esperança; / Do mal ficam as mágoas na lembrança, / E do bem, se algum houve, as saudades.”

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